VIDA DE PASTOR

João 10:7

“Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.”

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O pastor, muitas vezes, era um empregado da família, um servo que tomava conta das ovelhas, cabras de seu senhor.

As ovelhas (e/ou cabras) eram muito importantes para a família da época, visto que através delas era obtido o leite e a carne para alimentação, a pele e o pelo que serviam para confeccionar peças para o vestuário, os chifres que eram transformados em vasilhas para armazenamento de óleo ou para fazer buzinas e trombetas. Destes animais praticamente tudo se aproveitava, por isso muitas vezes era preferível manter um rebanho ao invés de ter dinheiro.

A importância destas fica evidente. Por isso também, Jesus diz em João 10:11 que Ele dá a vida pelas ovelhas. Davi também o fez em I Samuel 17:34-36, quando lutou pelas ovelhas que estavam aos seus cuidados pondo em risco sua própria vida. Ursos, leões, chacais, lobos, raposas e hienas eram frequentes predadores que investiam sobre os rebanhos e os pastores. Assim como Jesus, Davi sabia que ovelha em mãos erradas era grande prejuízo, uma ovelha só já representava muito valor para eles.

O pastor dos tempos bíblicos não gozava de status, fama, reconhecimento, popularidade, pelo contrário, Jacó descreve as agruras que sofria ao cuidar do rebanho de Labão em Gênesis 31:40: “Estava eu de sorte que de dia me consumia o calor, e, de noite, a geada; e o meu sono foi-se dos meu olhos.” Não foi a vida dentro da corte de Faraó que preparou Moisés para guiar o povo por 40 anos no deserto, mas foi a solidão que passara com o rebanho de seu sogro que o capacitou a enfrentar as dificuldades que viriam, também foi quando cuidava do rebanho que teve o encontro com Deus no monte Horebe, ali pôde observar a sarça que queimava sem ser consumida pelo fogo. Moisés não escolheu ser pastor, mas por precisar se esconder dos que buscavam sua vida para tirá-la, era o melhor ofício a ser exercido. Ser pastor sempre foi sinônimo de vida de dores, de sofrimento, vida de privações físicas e, principalmente de muita luta pelas ovelhas que se dedicava a cuidar “com sua própria vida” e recursos.

Por todos estes perigos e situações que rotineiramente se encontravam, havia alguns objetos quase obrigatórios para seu uso: O cajado, a vara, a funda, e o alforje. A capa e um instrumento musical também eram comuns, mas não necessariamente obrigatórios, segundo relatos históricos.

O cajado era usado primeiro para apoio do próprio pastor, ajudava a andar com mais segurança em terrenos irregulares, e quando necessário, a curvatura em sua extremidade era encaixada na ovelha para puxá-la para mais perto. A vara era um instrumento de confronto, usada basicamente para enfrentar os predadores do rebanho, com a vara o pastor espantava estes dispersadores. A funda era uma tira de couro com cordas em suas extremidades, usada para arremessar pedras, basicamente. Existiam dois princípios básicos ao uso da funda, primeiro, era usada quando uma ovelha se desviava do rebanho, com uma pedra lançada logo a sua frente, ela temia e voltava à posição original no rebanho. A outra situação era também de combate, com a funda, o pastor arremessava pedras contra os inimigos do rebanho. O alforje era usado para carregar alimento, já que muitas vezes era necessário mudar todo o rebanho de lugar em busca de novas pastagens e água. Poderia ser utilizado para guardar outros objetos pessoais. A capa era de uso não somente de pastores, obviamente, mas em suas peregrinações estes a utilizavam para proteção do sol, dos ventos, para cobrir o lugar onde iriam pernoitar e outras tantas utilidades. O instrumento musical que alguns levavam consigo era, normalmente, uma flauta feita de uma espécie de bambu, encontrado na Bíblia algumas vezes como caniço ou cana, uniam-se dois pedaços e através do sopro extraía som da mesma.

A solidão era marca patente na vida dos pastores. Este isolamento com as ovelhas fazia com que eles dessem nomes a estas e conhecessem cada particularidade, inclusive distinguindo as respectivas famílias dentro da malhada.

Com todos os duros percalços da caminhada diária, a noite ainda se apresentava a mais perigosa parte desta vida de dedicação ao trabalho e cuidado do rebanho. Dependendo por onde se andava, não existia lugar de repouso seguro, é verdade, mas quando conseguia fazer ou chegar a algum lugar como um redil ou aprisco, normalmente se apresentava como uma caverna ou um cercado com pedras e espinhos sobrepostos, que cuidavam a respeito de animais e ladrões que poderiam tentar algo prejudicial ao rebanho. Nestes casos, apenas uma passagem existia e, por regra, a menor possível. O pastor se empenhava para que em todo o redil, apenas por um lugar as ovelhas e cabras pudessem entrar e sair, desta forma, ele estaria seguro de que durante a noite nenhuma delas se dispersaria ou que algo as atacasse longe de seus olhos.

Aqui está explícito sobre o que Jesus falava. Ele mesmo seria a porta que guardaria suas ovelhas. Por certo, muitos falsos pastores, que Jesus intitula de “mercenários”, deixavam suas ovelhas a mercê do perigo quando via um lobo ou outro predador qualquer se aproximar, mas Ele mesmo diz que estes não são pastores e as ovelhas não são deles. No verso quatorze, Ele proclama: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”.

Temos vivido dias em que se inverteram os valores e reais interesses dos conhecidos pastores. Certo pastor disse uma vez que os valentes da Obra de Deus são homens e mulheres de lágrimas, de dores. Nisto creio. Hoje se busca muito a fama, o estrelato sobre os púlpitos, dentro e fora dos templos, deixando de lado os martírios da vida sacrificial do ministério outrora proposto.

Em contrapartida a este cenário, as ovelhas do aprisco de Jesus podem contar com Ele, o Bom Pastor. Ainda que nas geadas da noite, em meio à frieza espiritual que se aplaca por todo o mundo, no período de trevas que se podem apalpar, ao pecado que se apresenta cada dia com mais naturalidade e até aceitação em muitos corações que já não sabem ou sentem o que é o verdadeiro arrependimento em Cristo Jesus, aos devoradores, dispersadores de rebanhos, predadores vorazes, ávidos pelo ceifar de vidas em Cristo, só Ele tem sido nossa segurança e conforto e refúgio.

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“Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.” Salmos 4:8

A Igreja está resguardada. Quando Cristo disse que Ele mesmo seria a porta das ovelhas, estava dizendo que no redil estaríamos guardados dos perigos da noite que se apresenta fria, perigosa e traiçoeira. Ovelha não enxerga nada a noite, antes é totalmente dependente do pastor, por isso podemos nos alegrar, já que Ele, nosso sumo Pastor nos garantiu que estaremos seguros em seu aprisco. Ele é a porta que nos separa dos perigos da noite, do salteador, das ameaças vivas da escuridão. Para que algo possa investir contra suas ovelhas, teria antes que vencê-lo na porta do aprisco. Podemos glorificar então ao lembrar: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Se Ele venceu as dores, as enfermidades, as tentações, as injúrias, as ofertas malignas, o mundo, venceu a morte, o que poderia nos afligir então? “Tragada foi a morte na vitória” – 1 Coríntios 15:54. A nossa vitória está em nos gloriarmos n’Ele, porque Ele já venceu tudo pelos seus, por amor. Aleluia!

“Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.” Salmos 46:2-4

A grande esperança do servo do Senhor é ouvir sua voz. Jesus disse que conhece suas ovelhas e delas é conhecido, assim, seguem o Pastor porque conhecem sua voz      , porque as chama pelo nome. A voz do Senhor continuará a falar aos seus, porque somos inconstantes, somos falhos e podemos nos desviar do caminho se Ele não falar a nós e não ouvirmos sua voz a nos direcionar. Precisamos desta forma, ouvir constantemente a voz de nosso Pastor, de forma a continuarmos firmes no nosso caminhar, constantes em meio às tribulações e certos de que nada nos separará do seu amor, pelo contrário, estaremos cada dia mais próximos de estarmos eternamente ao seu lado, louvando àquele que abriu mão de toda honra e glória na Eternidade para entregar sua vida como ovelha muda a fim de nos salvar, mesmo sendo pobres pecadores.

 

ImagemAos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.
E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” I Pedro 5:1-4

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